terça-feira, 30 de agosto de 2011

Transeunte em Rua



Um passo forte
Lento
Cabeça em porte
Vento

Conversa alheia
Ausculta
Pegada astuta
Feia

Paisagem fosca
Ranzinza
Ladeada em cinza
Tosca

Ente na rua
Amargura
Transeunte em rua
Conjectura

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Mundo Real

No lote vago ao lado, uma cadela de rua deu a luz a três cachorrinhos. Ela os defende de todos que tentam se aproximar dos filhotes. E não são poucas as pessoas que tentam "adotar" algum dos cãezinhos. Mas ela bravamente espanta a todos. Até que um dia, um grupo de pessoas formado por um homem, duas mulheres e duas crianças conseguiram afastar a cadela dos filhotes, embora ela não parasse de latir. Latia muito ao ver que estava impotente diante da cena que via. O homem do grupo foi até o buraco, uma espécie de toca, que a cadela tinha encontrado para abrigar os cachorrinhos. Enfiou o braço toca adentro a procura dos filhotes e conseguiu encontrar somente um. Um lindo filhote, todo branquinho e com uma mancha preta no rosto. A cadela continuava a latir. Havia nela um sentimento de uma mãe tendo o filho tirado dos braços e não poder fazer nada. Era um sentimento humano.
Enquanto a cena ocorria, mais pessoas iam aparecendo para ver. Neste momento desviei meu olhar para o outro lado da rua. Um pronto-socorro público. Que até alguns dias atrás era bem movimentado. Mas neste dia estava vazio. Mas não porque as pessoas deixaram de ficar doentes. Estava vazio porque pessoas se corrompem. Porque pessoas não preparadas o administram. Porque verbas não chegam. Estava vazio porque havia muitos "porques".
Numa madrugada, dias antes, em frente a este mesmo hospital, um senhor começou a gritar revoltado acerca do atendimento que recebera. Ou melhor, que não recebera. Acordei com os berros desse senhor e escutei todo o "desabafo" de uma pessoa em desespero. Ele criticava desde às atendentes de plantão até ao prefeito. Até que a polícia chegou para conversar com ele e o acalmar. Não deveria ter polícia. Está tudo errado. As pessoas deveriam se unir a ele para protestar.
Protesta-se a favor da maconha, a favor do casamento gay, a favor da diminuição de impostos em eletroeletrônicos. Enfim... protestos interessantes... para as camadas de classe-média alta em diante. Nada contra tais protestos, mas cadê o bom-senso para protestar? Se pensarmos numa lista para ordenar a importância dos protestos, não teríamos que ver nos meios de comunicação alguns protestos mais relevantes? Talvez no topo dessa lista deveria estar um protesto por melhores valores éticos das pessoas. Cadê os protestos contra a corrupção escancarada em sua cidade? Contra a fome no bairro pobre ao lado do seu? Cadê as caras pintadas nas ruas contra o mau ensino? Cadê a natureza humana da humanidade? O mundo animal está mais humano que o mundo antropológico.
Continuaremos sobrevivendo neste mundo se continuarmos egoístas. A humanidade chegou neste ponto por egoísmo. As consequências dos atos "não interessam se não me prejudicam", pensam os homens. A cadela de rua não pôde fazer nada para impedir a situação triste que estava vivendo, mas esbravejou, latiu, chorou... assim como o homem defronte ao hospital. Mas ela faz parte da natureza irracional. Não tem raciocínio lógico. Já os homens parecem que fazem parte de uma natureza diferente. Uma natureza individual. Mas as questões são: há tempo de mudar? Já chegamos em um ponto sem volta? Até onde iremos chegar? Valores éticos estão a escassear?
A cena em que descrevi no início, presenciei da janela da sala de um apartamento no terceiro andar. Neste dia presenciei a natureza sendo humana e, presenciei, a natureza humana não tão humana assim.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Desenhar ou Rabiscar?


Fitar o horizonte
Crepúsculo em devaneio
Traçados sem meio
Sem cor e sem fonte

Cientes do ponto final
Seguem a ordem natural
Podes querer rabiscar
Melhor ainda desenhar 

Preenchas seu âmago
Não se torne vago
Odiar, ter rancor, invejar
São rabiscos por arrumar

Pinte com alegria
Ao contornar, sorria
Se não tiver aonde pôr
Desenhe com amor

Faça da vida um desenho
Mas não o faça por rabiscos
Seja visto como obeliscos
Não seja vão em seu estremenho

terça-feira, 10 de maio de 2011

(In)sanidade



Uma mente sã faz o que pensa
Uma mente insana faz o que quer

Uma mente sã complica
Uma mente insana flui

Uma mente sã responde
Uma mente insana pergunta

Uma mente sã hesita
Uma mente insana é resoluta

Uma mente sã obsta
Uma mente insana divaga

Uma mente sã condensa
Uma mente insana dispersa

Uma mente sã se ata
Uma mente insana liberta

Uma mente sã se presta ao ódio
Uma mente insana se entrega ao amor

Uma mente sã é capaz de mentir
Uma mente insana sempre diz a verdade
 
Uma mente sã pode se tornar uma mente insana
Uma mente insana jamais se tornará uma mente sã

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma Cena Para Toda a Vida



Enfim chegou o momento. É como um filme que passa pela cabeça. Ou melhor, não um filme inteiro, mas sim uma cena a mais que se completa na produção do filme chamado vida. Alguns estão fazendo um remake, pois não é a primeira vez que fazem este tipo de cena. Outros a fazem pela primeira vez. Uma cena a qual os atores principais somos nós, os formandos. Com vários atores coadjuvantes, desde a família ou todos aqueles que participaram de forma indireta nessa filmagem. Os grandes diretores, nossos mestres e professores, que conduziram a todos nós, atores, para que concluíssemos essa filmagem de forma magnífica. Tudo isto produzido num set de filmagem chamado UNILESTE-MG. Agradeço a todos do elenco que participaram dessa filmagem, a todos os diretores e ao grande escritor do script desta cena e deste filme VIDA que é Deus. Muito Obrigado!!!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Loucura x Sanidade



Louco! Maluco! Doido! Bitolado! Insano! Lelé!
Por que insistem que sou louco? Ou melhor, afirmam que sou louco. "Está doido? Não fez o trabalho até agora?", "Você é louco. Não estudou para a prova!". "Você é maluco demais. Não fala nada com nada".
Mas por que louco? Quem garante que sou eu que sou louco? Se ser louco é ter comportamento diverso daquele que a sociedade prega como o correto, em alguns (ou muitos) momentos eu sou, portanto, um louco.
Seremos relativos: se a sociedade for a louca na história e as poucas pessoas como eu fossem as sãs? O que me dizem dessa conjectura? "O louco só é louco para o certo, porque para o louco o certo que é louco!".
Não! Está tudo errado! Não pode!
Os loucos são aqueles que não vivem de forma ampla. São aqueles que não tem emoções. Aqueles que se incursam embaixo de uma cachoeira e são incapazes de sentir a água por entre a pele. Louco, como diria Rita Lee, é quem me diz que não é feliz. Louco é quem não ama.
O mundo está cheio de loucos. Respondo à pergunta anterior: a sociedade é louca. A sociedade não tem compaixão, não tem amor. O mundo enlouqueceu.
Ainda insistem que sou louco?. Pense bem. Sou apenas mais um dos poucos sãos que restam nesse mundo louco, maluco, doido, bitolado, insano, lelé!
E, espero, que talvez você que esteja lendo, se for um desses loucos, deixe de ser. Quer uma dica para começar? Ame. Não importa o quê. Apenas ame.

sábado, 12 de dezembro de 2009

OLHAR...



Segundo o dicionário, em sua primeira definição, olhar significa: Fixar os olhos em; contemplar, fitar, mirar:
Mas OLHAR não é somente um verbo.
Quem nunca viu um olhar de ódio, ou um olhar de amor? Um olhar apático, ou um olhar brilhante? Um olhar de desprezo, ou um olhar de admiração?
Ah OLHAR...
OLHARES!!!
Olhar de apaixonado, olhar de ternura, olhar safado, olhar vulgar, olhar penetrante, olhar fatal, olhar malicioso, olhar perdido, olhar misterioso...
...enfim, OLHARES.
Com um olhar podemos conhecer uma pessoa.
Com um olhar somos capazes decifrar um pensamento.
Mas, será que existe algum olhar que seja indecifrável?
Há quem diga que só de olhar para uma pessoa, já é capaz de saber o que essa pessoa quer dizer.
Vai ver é por isso que dizem que "um OLHAR vale mais que mil palavras".
Se um olhar vale mais que mil palavras, para quê escrevo este texto então?
Bom, talvez seja para que aqueles que o leia saiba o que se passa em meu OLHAR através dessas mil palavras.