Há cerca de um ano, escrevi sobre as inversões de valores e prioridades que a sociedade vem passando ultimamente (leia aqui) e usei o fechamento do Hospital Siderúrgica em Coronel Fabriciano como exemplo. Enfim, passado todo esse tempo, o hospital ainda não foi reaberto, mas está em obras atualmente (ufa!) e esse ano estará funcionando novamente. Ano este, que por coincidência terá eleições municipais. As vezes me pergunto: foi coincidência a reabertura ocorrer esse ano, aliás, em plena época de campanha política, ou foi algo realmente pensado para se ter uma muleta política em ano eleitoral? Eu quero acreditar que esses pensamentos que me assombram sejam apenas uma mesquinhez minha, mas não consigo. Não consigo porque eu resido em frente ao hospital e vi e vivi o que está acontecendo. Passeatas, abraço coletivo envolto ao hospital e, até então, não vi nada sendo feito. Aliás, vi um jogo de empurra entre município, estado e até em alguns momentos falou-se de Governo Federal. Mas o propósito do que venho escrever não é para criticar partido X ou Y e tampouco tomar uma posição política. Quero apenas mostrar que passado um ano, a natureza humana continua cada vez menos humana. A reabertura do hospital teve, e ainda tem, suas etapas burocráticas. Cada etapa tem um prazo. Mas tem que usar o prazo em seu máximo possível? Será que não poderia ter ao menos um pouco mais de boa vontade pra ter realizado cada etapa no menor prazo possível? Que não poderia resolver essa situação sem pensar na parte política, mas sim pensando que muita gente necessitava dessas obras o mais rápido possível, ou seja, pensando humanamente? São essas indagações que me faço, são essas dúvidas que me imponho que me faz não acreditar em coincidência o hospital ser reaberto em plena época de campanha política. Que me faz ver que o hospital será usado como muleta tanto para a situação como para a oposição. Que ambos irão se apoiar e argumentar conforme o que lhes convêm. E isso me faz voltar na ideia de que a sociedade atual chegou a este ponto por egoísmo. O título desta postagem dá a impressão de que o texto seria uma fábula e, antes fosse, mas assim como na fábula, ao final dessa história teremos uma lição de moral. Que cada um tire a sua.

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